A quercetina é um flavonoide encontrado naturalmente em alimentos como cebola, maçã, alcaparras, chá e uvas. Também é comercializada há décadas como suplemento isolado e é estudada principalmente por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antialérgicas. No entanto, os resultados dos estudos não são uniformes: os efeitos observados podem variar conforme a dose utilizada, a formulação do suplemento, a duração do uso e o desfecho analisado. Além disso, a quercetina apresenta baixa absorção oral quando administrada em sua forma não formulada, o que é um dos fatores considerados na interpretação dos resultados clínicos.
Resumo rápido: As evidências disponíveis indicam que a quercetina, especialmente em doses de 500 mg/dia ou mais, pode contribuir modestamente para a redução da pressão arterial e aliviar alguns sintomas de rinite alérgica. Há também sinais de possível benefício na recuperação muscular após exercícios intensos, embora os resultados dependam do protocolo utilizado. Já os efeitos sobre marcadores de inflamação sistêmica e desempenho esportivo são menos consistentes ou de pequena magnitude. Não foram encontrados, nas buscas realizadas no PubMed para este artigo, ensaios clínicos controlados que comprovem a quercetina isolada para emagrecimento ou redução de gordura corporal.
Principais pontos:
- Uma meta-análise de 7 ensaios clínicos, com 587 pacientes, encontrou redução média de 3,04 mmHg na pressão arterial sistólica e de 2,63 mmHg na diastólica com a suplementação de quercetina. O efeito foi mais evidente em doses de 500 mg/dia ou mais (DOI).
- Uma meta-análise de 13 ensaios clínicos, envolvendo 823 participantes, encontrou redução dos sintomas nasais em pessoas com rinite alérgica sazonal após o uso de compostos polifenólicos, entre eles a quercetina. No entanto, a certeza da evidência foi classificada como baixa a muito baixa (DOI).
- Uma meta-análise de 13 estudos, com 249 participantes, indicou que a suplementação com 1.000 mg/dia de quercetina por mais de 7 dias pode reduzir a dor muscular e os níveis de creatina quinase após exercícios intensos (DOI).
O Que É a Quercetina?
A quercetina é um flavonol, subgrupo dos flavonoides, encontrado naturalmente em diversos vegetais e frutas, como cebola, maçã, alcaparras, brócolis, chá e uvas. Além de fazer parte da alimentação, é comercializada como suplemento em diferentes formas.
Uma das principais limitações da quercetina convencional é sua baixa biodisponibilidade oral, relacionada à baixa solubilidade em água e à absorção intestinal reduzida quando administrada em sua forma não formulada. Por isso, foram desenvolvidas formulações como complexos fosfolipídicos (fitossomas) e sistemas lipossomais, que buscam aumentar sua absorção.
Em um estudo farmacocinético cross-over com 12 voluntários saudáveis, uma formulação de quercetina complexada com lecitina apresentou níveis plasmáticos até 20 vezes maiores do que a quercetina não formulada, sem efeitos colaterais notáveis (DOI).
Para Que Serve?
A suplementação de quercetina tem sido estudada principalmente em quatro áreas:
- Pressão arterial: pode produzir uma redução modesta da pressão arterial, especialmente em doses de 500 mg/dia ou mais.
- Rinite alérgica: pode ajudar a reduzir sintomas como espirros, coceira e obstrução nasal, embora não substitua o tratamento antialérgico padrão.
- Recuperação muscular: pode reduzir a dor muscular e alguns marcadores de dano muscular, como a creatina quinase, após exercícios intensos.
- Inflamação: pode alterar alguns marcadores inflamatórios, mas os resultados são variáveis conforme a população estudada e o marcador analisado.
Por outro lado, não foram encontrados, nas buscas realizadas para este artigo, ensaios clínicos controlados que comprovem a quercetina isolada para emagrecimento, redução de gordura corporal ou “queima de gordura”. Essas alegações, comuns em materiais de marketing de suplementos, não devem ser tratadas como benefícios clinicamente comprovados.
Também não foram encontrados ensaios clínicos que confirmem a quercetina isolada como tratamento eficaz contra infecções virais em pessoas saudáveis. Os estudos sobre COVID-19 apresentam limitações metodológicas e são discutidos separadamente ao longo do artigo.
Benefícios Principais
Pressão Arterial
A quercetina está entre as áreas de suplementação em que há evidências clínicas relativamente mais consistentes, especialmente em relação à pressão arterial. Uma meta-análise de 2016, que reuniu 7 ensaios clínicos randomizados controlados por placebo, com 587 participantes, encontrou redução média de 3,04 mmHg na pressão arterial sistólica e de 2,63 mmHg na diastólica. Quando os estudos foram analisados de acordo com a dose, o efeito foi significativo principalmente com doses de 500 mg/dia ou mais (DOI).
Outra meta-análise, realizada especificamente em pessoas com síndrome metabólica e condições relacionadas, também encontrou uma pequena redução da pressão arterial sistólica, de 1,69 mmHg, mas não identificou efeito significativo sobre a pressão diastólica. A análise também não encontrou benefícios significativos sobre os marcadores de função endotelial avaliados (DOI).
Rinite Alérgica
A quercetina apresenta mecanismos experimentais que podem contribuir para seus efeitos antialérgicos, incluindo a estabilização de mastócitos e a redução da liberação de histamina (PubMed).
Em humanos, uma meta-análise publicada em 2025 reuniu 13 ensaios clínicos randomizados, com 823 participantes, avaliando compostos polifenólicos — incluindo a quercetina — em pessoas com rinite alérgica. Nos casos de rinite alérgica sazonal, houve redução significativa do escore total de sintomas nasais, além de melhora em sintomas como espirros e coceira nasal. Entretanto, a certeza da evidência foi classificada como baixa a muito baixa, devido principalmente à inconsistência entre os estudos e ao risco de viés. Na análise combinada de rinite sazonal e perene, o efeito sobre os sintomas nasais também foi significativo, enquanto não foi observada melhora significativa na qualidade de vida (DOI).
Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 66 adultos japoneses com sintomas de polinose, avaliou 200 mg/dia de uma formulação fitossomal de quercetina durante quatro semanas. O grupo que recebeu a quercetina apresentou melhora em alguns escores relacionados aos sintomas alérgicos oculares e nasais, incluindo coceira nos olhos, espirros, coriza e distúrbios do sono, em comparação ao placebo. Poucos efeitos adversos foram relatados (DOI).
Recuperação Muscular
Uma meta-análise de 2023, publicada na Biology of Sport, reuniu 13 estudos com 249 participantes, desde pessoas sedentárias até atletas treinados, para avaliar os efeitos da suplementação de quercetina sobre o dano muscular após exercícios intensos. Na maioria dos estudos, foram utilizadas doses de aproximadamente 1.000 mg/dia por mais de 7 dias, com protocolos que chegaram a 12 semanas.
A análise encontrou redução significativa da dor muscular percebida nas primeiras 24 horas após o exercício, dos níveis de creatina quinase entre 24 e 48 horas e de marcadores de estresse oxidativo após o exercício. Os efeitos foram estatisticamente significativos para esses três desfechos, mas não houve redução significativa de IL-6 (DOI).
Contexto: Resultados Variam Conforme o Desfecho e a População
Nem todos os efeitos atribuídos à quercetina em materiais de divulgação têm o mesmo nível de sustentação científica. Os resultados variam conforme o desfecho e a população estudada.
Marcadores inflamatórios sistêmicos. Uma meta-análise de 2019 não encontrou efeito geral significativo da quercetina sobre PCR, IL-6 e TNF-α, embora tenham sido observados efeitos em subgrupos específicos. Os resultados sobre a PCR, portanto, não são unânimes e podem variar conforme a dose e o estado inflamatório basal da população estudada (DOI).
Desempenho físico aeróbico. Uma meta-análise encontrou efeitos estatisticamente positivos sobre VO₂max e desempenho de resistência, mas de magnitude entre trivial e pequena, equivalente a aproximadamente 2% de melhora em relação ao placebo (DOI).
Uso antiviral. Uma revisão de 2024 concluiu que as evidências clínicas sobre a quercetina contra a COVID-19 permanecem limitadas, apontando falhas metodológicas nos ensaios clínicos, além da baixa biodisponibilidade e da farmacocinética variável do composto como fatores limitantes (DOI).
Estratégias senolíticas. A combinação de quercetina em altas doses com dasatinibe vem sendo investigada experimentalmente em doenças específicas. Esse protocolo envolve um medicamento prescrito e uma população de pacientes com doença grave, não correspondendo ao uso de quercetina isolada como suplemento de rotina (DOI).
Mecanismo de Ação
Os principais mecanismos atribuídos à quercetina incluem:
- Ação antioxidante: sua estrutura de flavonol permite neutralizar espécies reativas de oxigênio (ROS) e participar da modulação do estresse oxidativo.
- Modulação da inflamação: pode interferir em vias inflamatórias e fatores de transcrição, como o NF-kB, embora os efeitos clínicos sobre marcadores inflamatórios sejam variáveis.
- Ação sobre mastócitos: estudos experimentais indicam possível estabilização dos mastócitos e redução da liberação de histamina, mecanismo relacionado aos efeitos antialérgicos investigados.
Uma limitação relevante é a baixa biodisponibilidade oral da quercetina não formulada. Diferentes formulações podem alterar significativamente sua absorção e, potencialmente, sua resposta no organismo (DOI).
Segurança e Considerações
- Doses estudadas: os estudos analisados utilizaram principalmente entre 500 mg e 1.000 mg por dia, enquanto alguns trabalhos com formulações específicas utilizaram doses menores e por períodos variados.
- Interações medicamentosas: estudos indicam que a quercetina pode interferir em vias como CYP3A4 e glicoproteína-P, envolvidas no metabolismo de diversos medicamentos (DOI). Pessoas em uso de medicamentos com metabolismo dependente dessas vias devem buscar orientação profissional antes da suplementação.
- Tolerância: nos estudos citados, a quercetina foi geralmente bem tolerada, com poucos eventos adversos, geralmente leves e de natureza gastrointestinal.
- Gestantes e lactantes: não há dados suficientes para estabelecer sua segurança nesses grupos, sendo recomendada orientação médica antes do uso.
- Expectativa realista: os efeitos observados são geralmente modestos e nem sempre consistentes entre os estudos. A quercetina não deve ser considerada substituta de tratamentos médicos, podendo eventualmente atuar como coadjuvante sob acompanhamento profissional.
Quando Considerar Incluir na Rotina
- Pessoas com pressão arterial limítrofe ou levemente elevada, como parte de uma estratégia mais ampla orientada por profissional de saúde — não como substituto de anti-hipertensivos prescritos.
- Pessoas com sintomas de rinite alérgica sazonal que buscam um coadjuvante ao tratamento antialérgico padrão, sob orientação médica.
- Praticantes de exercício físico intenso e recorrente que relatam dor muscular tardia significativa, especialmente em períodos de maior volume de treino.
- Pessoas sem contraindicações que já consomem poucos alimentos-fonte de flavonoides na dieta habitual (cebola, maçã, chá) e desejam uma fonte concentrada e padronizada.
Perguntas Frequentes sobre a Quercetina
Quercetina emagrece? Não foram encontrados, nas buscas realizadas para este artigo, ensaios clínicos randomizados que comprovem a eficácia da quercetina isolada para perda de peso ou redução de gordura corporal. Essa alegação é comum em materiais de divulgação, mas não possui respaldo clínico direto na literatura consultada.
Quercetina serve para imunidade? A quercetina apresenta propriedades antioxidantes e moduladoras da inflamação estudadas em laboratório, mas a evidência clínica de que sua suplementação isolada previna infecções respiratórias em pessoas saudáveis ainda é limitada (DOI).
Posso tomar quercetina com anti-histamínico? A quercetina pode ser estudada como complemento ao tratamento da rinite alérgica, e alguns estudos sugerem possíveis benefícios quando associada a tratamentos convencionais. No entanto, a combinação de suplementos com medicamentos deve ser discutida com um profissional de saúde.
Qual a melhor forma de quercetina? A quercetina não formulada apresenta baixa absorção oral. Formulações fitossomais e lipossomais podem aumentar sua biodisponibilidade, embora uma maior concentração no sangue não signifique necessariamente um efeito clínico proporcionalmente maior (DOI).
Quanto tempo leva para sentir efeito? Os estudos avaliaram diferentes períodos, geralmente de algumas semanas. No contexto esportivo, alguns trabalhos observaram resultados após mais de sete dias de uso, enquanto outros avaliaram períodos mais prolongados. Portanto, não se trata de um suplemento de efeito imediato.
Quercetina tem alguma contraindicação? Pessoas que utilizam medicamentos cujo metabolismo possa depender de vias como CYP3A4 ou glicoproteína-P devem consultar um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação (DOI).
Uma Opção na Rotina
A FSL Farma comercializa a quercetina em diferentes formulações. Para quem busca a forma padrão, existe a Quercetina 95% De Flavonoides Vegan 500mg 60 Cápsulas, com uso sugerido de 1 a 2 cápsulas ao dia, correspondendo a 500 mg a 1.000 mg/dia — faixa de dose compatível com a utilizada em diversos estudos clínicos citados neste artigo.
Também estão disponíveis formulações com tecnologias de absorção diferenciada, como a Quercetina 95% De Flavonoides 500mg PHOS Vegan 60 Cápsulas e a Quercetina 500mg Lipossomal 60 Cápsulas. Essas tecnologias buscam aumentar a biodisponibilidade da quercetina, embora os estudos de absorção disponíveis tenham utilizado formulações específicas que podem não ser idênticas às comercializadas pela FSL Farma (DOI).
Aviso Legal: Este conteúdo é meramente informativo e educacional, baseado em estudos científicos indexados no PubMed. Não substitui orientação profissional de saúde. Consulte sempre um profissional qualificado antes de iniciar qualquer suplementação.
Conteúdo técnico revisado por Fagner Cruz (CRF/MG 13863), Farmacêutico especialista em Farmacologia e Bioquímica, com mais de duas décadas de dedicação à pesquisa científica de nutracêuticos e ortomolecular.
Por Fagner — Equipe FSL Farma




